Regra 50/30/20: entenda como organizar as suas finanças

  • setembro 5, 2020
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Um dos pilares da educação financeira é aprender a administrar as finanças para ter uma boa qualidade de vida sem entrar no vermelho.

A recomendação para todos que querem mudar positivamente a sua vida financeira é fazer um orçamento mensal. Uma regra popular e simples para quem quer começar a organizar a sua vida financeira se chama “50/30/20”.

Pode parecer intimidador a quantidade de informações sobre como fazer o seu orçamento financeiro. Se você é iniciante e prefere uma regra simples, mas efetiva de ser seguida, a regra 50/30/20 é para você.

Através dessa fórmula, você vai aprender a gerir a sua renda mensal de acordo com o que é prioridade para manter uma boa vida financeira.

O que é a regra 50/30/20?

A fórmula 50/30/20 determina a divisão de suas despesas em três categorias: 50% para necessidades essenciais, 30% para necessidades não essenciais, e 20% para investimentos ou liquidar crédito.

A partir dessa divisão, você vai estabelecer limites de como você vai gastar o seu dinheiro em diferentes áreas de sua vida.

50% para necessidades essenciais

De acordo com a fórmula, a metade da sua renda mensal deve priorizar o pagamento de despesas essenciais. Ou seja, a maior parte da sua renda deve pagar despesas que não são possíveis de serem cortadas completamente e são necessárias para o seu dia a dia.

As despesas essencias, compreendem: aluguel ou parcelas de financiamento de seu próprio imóvel, mensalidade de escola/universidade, transporte (ônibus, carro, ou metrô, água, eletricidade, gás, telefone, entre outros.

Vale lembrar que apesar da fórmula priorizar 50% da sua renda mensal para o pagamento das despesas essenciais, é possível que você se depare com suas despesas essenciais ultrapassando a metade do seu salário.

Nesse caso, uma das opções é você tentar diminuir esses gastos comparando preços, seguindo dicas de economia de luz/água/telefone, comparando diferentes serviços.

30% para necessidades não-essenciais

Esse método sugere que você gaste no máximo 30% da sua renda mensal em necessidades não-essenciais, ou seja, gastos pessoais para satisfazer seus desejos em determinado momento.

Por exemplo, sair para jantar em um restaurante, comprar uma maquiagem de marca X, adquirir um telefone mais moderno, entre outros.

É importante que você consiga entender a diferença entre o que é uma necessidade e o que é um desejo para não confudir os dois conceitos.

A necessidade reflete algo que você não tem como abrir mão, pois é necessário para manter a sua saúde, qualidade de vida, atividade profissional. Por sua vez, o desejo é algo que você sente vontade de adquirir motivado por uma satisfação pessoal.

Por exemplo, adquirir o último lançamento da Apple porque você é um admirador da marca e apaixonado por tecnologia, não é o mesmo do que fazer uma compra de um celular porque é seu principal meio de comunicação no trabalho e o seu celular parou de funcionar.

Esse exemplo demonstra como gastos essenciais e não essenciais algumas vezes podem ser fáceis de confundir.

20% para investimentos, poupança ou liquidação de dívidas

Pelo menos 20% do seu salário devem ser preservados para o pagamento de dívidas ou para aplicar em rendimentos para o seu futuro. A prioridade do que resta da sua renda mensal após o pagamento de todas as despesas deve ser liquidar qualquer tipo de dívida, se existente, e investir o seu dinheiro.

Ter uma reserva de emergência é uma forma de “investir” o seu dinheiro de forma inteligente também. A reserva de emergência deve ser calculada de acordo com o a sua renda mensal, e corresponde a seu salário multiplicado por 6. Esse valor deve ser poupado para um momento de crise, como a perda de um emprego, ou uma emergência familiar.

Muitos brasileiros se endividam constantemente por serem pegos desprevinidos em uma emergência ou na falta de dinheiro para adquirir um produto/serviço. O cartão de crédito é uma forma fácil de ter acesso a crédito, mas é a principal causa de endividamento das famílias brasileiras.

Então, até 20% do seu salário é o primeiro passo para conquistar mais segurança para seu futuro: eliminando dívidas que ao se prolongar no tempo se tornam onerosas por conta da taxa de juros, poupando para sua reserva de emergência, e aplicando em rendimentos para serem resgatados em médio a longo prazo.

Como aplicar o método 50/30/20?

A regra 50/30/20 é uma forma simples de gerenciar os gastos mensais para que caibam dentro do orçamento. Um dos maiores lados positivos dessa regra é que ela já estabelece uma divisão do seu orçamento, e portanto objetivos que a pessoa deve ter em mente.

Apesar de parecer complicado fazer o seu orçamento mensal, tudo o que você precisa é de alguns minutos e um local para anotar as suas despesas. Aqui vamos explicar como você pode iniciar o seu planejamento financeiro com esse método:

1 . Entenda como funciona a regra 50/30/20

O método 50/30/20 determina uma divisão da sua renda mensal em três categorias: despesas essenciais, desejos, e investimento/liquidação de dívidas.

Cada uma dessas categorias devem preferencialmente respeitar o valor estipulado da sua renda mensal de 50% para despesas essenciais, 30% para desejos e 20% para investimentos ou liquidar créditos.

Por exemplo, se a sua renda mensal corresponde a dois salários mínimos, ou seja, R$2.090, esse é o valor que você vai usar como base para dividir entre as suas despesas.

Nessa hipótese, 50% da renda corresponde a R$1045 para despesas essenciais, 30% corresponde a R$313 do salário para desejos, e 20% corresponde a R$209 para investimentos ou liquidar dívidas.

2. Determine qual é a sua renda mensal

O método 50/30/20 deve ser adaptado a renda mensal de quem está organizando as suas finanças.

O lado positivo desse método é que ele funciona para diferentes tipos de renda, independente de você ter uma renda mensal de um salário mínimo ou quatro salários mínimos.

Vale ressaltarmos que renda mensal não significa necessariamente o mesmo de salário mensal. A renda mensal é todo o montante em dinheiro que o indivíduo ganha por mês, seja através do salário, benefício governamental, aposentadoria, freelance, entre outros.

Calcule a sua renda mensal somando todo a quantia que você recebe de forma constante. Por exemplo, se você ganha um salário mínimo, pensão por morte, e faz vendas de roupas, some todos esses valores para incluir como a renda mensal em seu orçamento financeiro.

3. Organize e escreva as suas despesas

Após definir a sua renda mensal, você deve escrever todas as suas despesas do mês. Para se organizar melhor, inicie escrevendo as despesas consideradas essenciais, ou seja, aquelas relativas a habitação, educação, transporte, alimentação.

Inclua posteriormente, as despesas que você faz para conseguir uma satisfação pessoal. Por exemplo, roupas, assinatura de revistas, entretenimento, hobbies.

Por fim, determine o tipo de investimento que você prefere aplicar o seu dinheiro, ou, se for o caso, o que falta para terminar as parcelas de contrato de empréstimo.

É importante que você inclua todas as despesas do seu mês o mais fiel possível para que possamos fazer uma organização. Essa organização deve respeitar as três categorias já citadas acima: despesas essenciais, despesas não essenciais, e investimentos ou liquidação de dívida.

4. Elimine ou diminua em despesas

É provável que as suas despesas não estejam adequadas aos valores propostos pela regra 50/30/20. Esse método de organização é uma forma de guiar o indivíduo para alcançar um ideal, e você não deve se desmotivar por não conseguir seguir de primeira.

Sempre que algum dos seus gastos ultrapassarem a porcentagem, se faça a seguinte pergunta: é possível cortar esse gasto? se não, então é possível diminuir essa despesa?

Normalmente, as despesas essenciais não são possíveis de serem cortadas, mas podem ser alteradas por outras mais barata. Também é possível diminuir essas despesas através de dicas de economia, por exemplo, limitar o uso do ar-condicionado para diminuir o gasto com a luz.

Por sua vez, em direção oposta, as despesas não-essenciais para satisfazer um desejo pessoal podem ser cortadas com maior facilidade. É recomendado que você priorize cortar essas despesas não-essenciais comparada com as despesas essenciais.

5. Estabeleça uma meta

A mudança na nossa vida financeira vem acompanhada com metas específicas. O método 50/30/20 por si só pode ser interpretado como um objetivo para você diminuir determinadas despesas e organizar a forma que é gasta a sua renda mensal, mas não é o suficiente.

Como vimos, a regra 50/30/20 aconselha que o indivíduo conserve pelo menos 20% de sua renda para investir ou liquidar dívidas que já existem. É nesse sentido que você precisa adequar o seu objetivo e necessidade atual para essa meta.

Aqueles que possuem dívidas de longo prazo devido a empréstimo, nós aconselhamos que utilize parte desses 20% para pagar prestações adiantadas do contrato. Dívidas de longo prazo costumam ter um impacto financeiro grande em nosso bolso devido as taxas de juros que se acumulam com o tempo.

Para quem não possui dívidas pendentes, os 20% que sobram podem ser investidos em aplicações financeiras de acordo com o seu perfil de investidor. Investimentos de renda fixa, por exemplo, como CDB e Tesouro Direito são aconselháveis para quem tem um perfil mais conservador e podem prever sua rentabilidade.

Estabeleça uma meta específica para o seu orçamento: liquidar uma dívida, investir em renda fixa, fazer a sua reserva de emergência.

Vantagens da regra 50/30/20

  • A regra 50/30/20 é flexível para todos os tipos de renda, independente do valor da renda mensal do indivíduo, ela consegue ser adaptada.
  • Não é necessário seguir estritamente a porcentagem aconselhada pela regra 50/30/20. O maior objetivo dessa regra é de dar um norte para quem está começando a fazer o seu planejamento financeiro, e não limitar.
  • É uma regra financeira simples de compreender e aplicar na prática. Enquanto muitas dicas financeiras soam complicadas e distantes da prática, ela é acessível e auto-explicativa.

Uma advogada que se interessou pelo mundo das finanças e decidiu ajudar as pessoas a organizarem as suas vidas financeiras.

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